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Um passeio pela terra do vinho
Caxias do Sul é o marco vivo da colonização italiana no Brasil; seus prédios e monumentos guardam séculos de cultura e tradição

Da Redação/GB Edições
Fotos: GB Imagem

É praticamente impossível falar de Caxias do Sul sem falar na colonização italiana da região. A cidade é uma das mais charmosas do Rio Grande do Sul, famosa por sua Festa da Uva, que acontece de dois em dois anos, em meados de março e abril.
Sem falar da festa propriamente dita, as atrações são inúmeras e as opções gastronômicas imperdíveis.
Vamos começar nossa viagem pelos Caminhos da Colônia. Este roteiro resgata a história da estrada que os primeiros imigrantes usaram quando chegaram a Serra Gaúcha, no Século XIX. No caminho ainda permanecem a arquitetura, os costumes e a tradição original dos italianos que construíram Caxias do Sul.
Nas atividades da Colônia, o visitante vai encontrar um povo festivo que adora contar as histórias dos antepassados, que percorriam a estrada em carretas puxadas por ternos de mulas, o único meio de transporte da época.
A paisagem é de rara beleza e ainda tem as comidas típicas. Imperdíveis.
Fruto de uma parceria entre os municípios de Caxias do Sul e Flores da Cunha, o Caminho da Colônia percorre cerca de 35 quilômetros cercado por belas paisagens, em que destacam-se vales e montanhas cobertos por parreirais. O verde as folhas e o cheiro característico são um convite irrecusável para se saborear o café colonial tipicamente gaúcho, oferecido praticamente em cada curva da estrada. Basta seguir as placas.
Partindo do Museu Municipal de Caxias do Sul, após conhecer parte da cultura através das peças e objetos expostos no local, o roteiro segue para a Casa da Pedra. Construída no final do Século XIX e transformada em museu em 1975, conserva em seu interior utensílios que expressam os costumes dos imigrantes italianos.
Na próxima parada, junto aos Pavilhões da Festa da Uva, encontra-se a réplica de Caxias antiga, um conjunto arquitetônico que reproduz a primeira rua da cidade, em 1875. À noite, o local serve de cenário para apresentação de um dos maiores atrativos turísticos da serra gaúcha: o Espetáculo de Som e Luz, que durante 45 minutos narra a história do nascimento da cidade.
À partir daí, a viagem segue pela estrada, com suas casas seculares que abrigam cantinas e rústicos restaurantes, mostrando as delícias da culinária italiana.
Quer uma sugestão? Visite a Cantina Tonet; localizada em meio às montanhas, ao chegar por lá você será recebido por um simpático Nono, o dono do lugar que, juntamente com a mulher, filhos e outros parentes, plantam as uvas, fazem vinho e a massa que são servidos no restaurante. O almoço tipicamente italiano é acompanhado por boa música, com cantoria e sanfona. Não deixe de experimentar, além do vinho é claro, o vinagre balsâmico produzido por lá.
Uma das paradas obrigatórias é na comunidade de Santa Justina, para conhecer uma igrejinha centenária que serve de marco divisório entre Caxias e Flores da Cunha.
Em Flores da Cunha, um dos maiores atrativos é o distrito de Otávio Rocha, com sua Praça Regional da Uva, a Igreja de São Marcos e a Cascata da Gruta. Um pouco mais adiante, o roteiro convida para um passeio por Flores da Cunha.
É hora de voltar para Caxias do Sul, onde novas aventuras e novas guloseimas esperam o visitante para o jantar.
Nestas alturas, todo mundo deve estar pensando onde é que fica o churrasco, afinal estamos no Rio Grande do Sul. A iguaria não falta e é da melhor qualidade. Não dá para deixar de conhecer uma das únicas cantinas do Brasil cujos pratos servidos são fruto de uma pesquisa histórica. O lugar é muito conhecido na cidade e serve todos os pratos da colonização italiana numa só refeição. Só para ficar com água na boca, veja algumas opções do cardápio: queijo parmesão, queijo serrano, queijo prato, queijo provolone, queijo emmental, copa italiana, salame italiano, enrolado de matambre suíno, morcela branca, morcela escura, queijo suíno, sopa de agnoline, spaghetti ao molho, tortéi, ravioli, scodeghin, fortaia, salame frito, galeto al Primo Canto, queijo à milanesa, polenta recheada com queijo, pão caseiro de forno de lenha, radicco com bacon, pimentão ao vinagre de vinho etc. Detalhe: tudo isso numa só refeição.
Até aqui, o visitante pode perceber que é preciso, pelo menos, uns três dias na cidade para aproveitar tudo isso.
Tem ainda as trilhas urbanas da cidade. Andar por estas trilhas é redescobrir a cidade em cada olhar. Um olhar que revela a constante busca de harmonia entre as suas pretensões de metrópole e seu jeito quase ingênuo de cidade do interior.
Quem busca diversão encontra em Caxias uma cidade rica em cultura e lazer, que além das salas de cinema e teatro oferece as mais variadas opções de entretenimento.
Bom, agora que o visitante já passeou pela estrada dos imigrantes e se fartou de cultura e iguarias; saboreou o delicioso churrasco e ainda experimentou as iguarias da cantina histórica, não pode deixar a cidade sem visitar o Brique da Praça Dante, melhor dizendo a feira de artesanato que acontece todos os sábados e reúne os melhores artistas da cidade e região. Todas aquelas lembrancinhas típicas para a família podem ser encontradas no Brique. Ah, ali também tem festival gastronômico.

No recinto da famosa Festa da Uva de Caxias, o turista pode apreciar a réplica da cidade no início de sua colonização no Século XIX
O Caminho da Colônia é percorrido entre as montanhas. Na rota, inúmeras propriedades familiares e todas dedicadas à produção de vinho por isso a vista do turista se perde entre os inúmeros parreirais
Com mais de cem anos de existência, a Família Tonet preserva a casa que abrigou os seus antepassados, imigrantes italianos que ali se estabeleceram e plantaram a primeira parreira de uvas, a qual produz frutos até hoje


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